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O livro reúne fotos produzidas por Iatã Cannabrava entre 2000 e 2008 em periferias latino-americanas e expostas no Museu da Casa Brasileira desde 21 de julho. O lançamento será no dia 4 de agosto, às 19 horas, no próprio museu.
Uma outra cidade
Iatã Cannabrava
Textos: Férrez, DJ Nel, Rubens Fernandes Junior, Horacio Fernándes e Iatã Cannabrava
Imprensa Oficial / Museu da Casa Brasileira / Editora Terceiro Nome
152 páginas
R$95,00
Dos meninos brincando com armas imaginárias no bairro paulistano de Itaquera à sala milimetricamente decorada em Vila da Barca, Belém, passando por mares de casas de tijolo, madeira, papel ou lata: nada escapa ao olhar do fotógrafo Iatã Cannabrava que entre 2000 e 2008 percorreu periferias latino-americanas para compor o ensaio fotográfico transformado agora no livro "Uma outra cidade" com lançamento pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, Museu da Casa Brasileira e Editora Terceiro Nome. A sessão de autógrafos está marcada para o dia 4 de agosto, às 19 horas, no Museu da Casa Brasileira (Av. Faria Lima, 2705, Jardim Paulistano - São Paulo), durante exposição homônima em cartaz no museu até o dia 23 de agosto.
São dezenas de fotos coloridas internas e externas, do detalhe ou do plano geral, de gente, de casa, de carro. Para esse projeto documental que começou em Capão Redondo, em São Paulo, Iatã Cannabrava percorreu lugares como Katia e 23 de Enero (Caracas), Varjão (Brasília), Villa El Salvador (Lima), Vila Fundão, Jardim Ipê, Jardim Pantanal, Campo Limpo, Vila Itaoca, Itaquera (São Paulo), Vila da Barca (Belém), Iztapalapa (México), Residencial Presidente Collor (São Carlos), Vila Gilda (Santo André), Dock Sud e La Boca (Buenos Aires), Villa del Chancho (Montevidéu), El Alto (La Paz) e tantas outras favelas, morros, quebradas, villas e cerros.
Assinam os textos do livro Rubens Fernandes Junior, pesquisador e crítico de fotografia; Horacio Fernándes, historiador e curador; o escritor Férrez e o DJ Nel. Num outro texto, Iatã conta sobre o início do projeto, as primeiras idas à periferia, os workshops que deu em Capão Redondo, as favelas estrangeiras, os avanços e retrocessos da condição de vida nesses locais.
"Na contramão das teorias do caos que poderiam prever o colapso total das urbes, o que assistimos foi a uma forma criativa de construção de novos modelos, desta vez oriundos das próprias comunidades, manifestando-se em outras formas de vestir, falar, construir, organizar (ou amontoar) os diversos aspectos que conformam as chamadas 'cidades'", escreve o fotógrafo. Ele não se apresenta como pessimista ou otimista, mas diz que ao encerrar essa etapa de seu trabalho, vê "que os dramas sociais e de exclusão continuam a crescer num ritmo desenfreado, mas com certeza saio menos alienado e convicto de que um mundo melhor é possível mesmo na paisagem da exclusão".
Trata-se de um trabalho corajoso de um fotógrafo que mergulha naquela realidade e não pede pose a seus objetos. "O que escondemos de nós mesmos ele tenta descobrir", coloca Férrez. E completa: "Ler as fotos de Iatã traz dor, porque não é suave nem um pouco".
Pesquisador e critico de fotografia, Rubens Fernandes Junior escreve: "As fotografias assustam pelas visualidades, muitas vezes hostis, e pelas estratégias de construção utilizadas para registrar e documentar esse mundo nem sempre visível aos olhos de todos. O conjunto das imagens torna-se um intrigante ensaio centrado na antropologia visual, surpreendentemente revelador, que nos faz pensar sobre as precárias condições habitacionais das grandes cidades, as subjetividades inerentes e a questão da ocupação do território público".
Já o historiador Haracio Fernándes diz que as imagens de Iatã Cannabrava mostram a cidade do presente, tão frágil e instável, que está condenada a desaparecer de imediato por qualquer causa, independente do movimento dos ponteiros do relógio. "A cidade não se vê até que se vive, é um livro que se lê com os pés, como diz uma canção. Iatã Cannabrava a leu com os pés para que os demais a leiam com o olhar, soube ser invisível para que possamos ver sem ser vistos", completa.
Iatã Cannabrava
É fotógrafo, curador e agitador cultural. Participou de mais de 40 exposições e ganhou os prêmios P/B da Quadrienal de Fotografia de São Paulo, em 1985; o concurso Marc Ferrez da Funarte, em 1987; e dois prêmios da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, em 1996 e 2006. Suas fotografias foram publicadas em diversos livros e nas coleções Masp-Pirelli, Galeria Fotoptica, Coleção Joaquim Paiva e MAM/São Paulo.
Como agitador cultural, foi presidente da União dos Fotógrafos de São Paulo de 1989 a 1994, criou e dirige a empresa Estúdio Madalena, onde organizou mais de 30 exposições e ministrou mais de 80 workshops, além de projetos especiais, como Revele o Tietê que Você Vê, em 1991; Foto São Paulo, em 2001; Povos de São Paulo - Uma Centena de Olhares sobre a Cidade Antropofágica, em 2004, e a Expedição Cívica, Ecológica e Fotográfica De Olho nos Mananciais, em 2008. É responsável pela coordenação da programação do Festival Internacional de Fotografia de Paraty - Paraty em Foco e coordena o Fórum Latino-Americano de Fotografia de São Paulo.
Exposição "Uma outra cidade"
Visitação: 21 de julho a 23 de agosto
4 de agosto: lançamento do livro "Uma Outra Cidade", edição conjunta do Museu da Casa Brasileira, Imprensa Oficial e Editora Terceiro Nome
Local: Museu da Casa Brasileira - Av. Faria Lima, 2705 - Tel. 11 3032-3727 Jardim Paulistano São Paulo
Ingresso: R$ 4,00 - Estudantes: R$ 2,00 Gratuito domingos e feriados
Acesso para pessoas com deficiência.
Visitas orientadas: 3032-2564 agendamentomcb@terra.com.br
Estacionamento: R$ 12,00 no dia da abertura; de terça a sábado até 30 min. grátis, até 2 horas R$ 8,00, demais horas R$ 2,00. Domingo: preço único de R$ 10,00.
Classificação indicativa: livre
Mais informações para a imprensa com Maria Fernanda Rodrigues (Lu Fernandes Escritório de Comunicação) pelo telefone (11) 3814.4600 |